RATATOUILLE (2026)
November 2, 2025
Desde o primeiro fotograma, a releitura em live-action de Ratatouille pela Disney alcança algo extraordinário: ousa abordar uma das histórias mais queridas da Pixar e apresentá-la com renovada confiança, ambição e elegância cinematográfica. Enquanto a maioria dos remakes se contenta em se apoiar na nostalgia, este filme insiste em ser mais: uma releitura que respeita a essência do original, ao mesmo tempo que oferece um sabor novo e totalmente próprio.
A escolha de Tom Holland para o papel de Alfredo Linguini inicialmente causou surpresa, mas sua atuação demonstra por que ele continua sendo um dos jovens atores mais versáteis de Hollywood. Ele confere a Linguini uma energia nervosa, uma certa desajeitada postura física e uma sinceridade frágil que tornam seu crescimento crível. Holland não interpreta apenas um cozinheiro atrapalhado; ele interpreta um jovem desesperado para encontrar sua voz em um mundo que constantemente lhe diz que ele não pertence a ele.
Zendaya, como Colette, torna-se a âncora moral do filme. Inteligente, confiante e ferozmente independente, ela irradia calor e disciplina. Sua química com Holland cria faíscas na cozinha e além, ancorando a história em um romance muito humano. Ela é mais do que uma personagem coadjuvante: ela é a personificação da arte culinária, da resiliência e da mentoria. Vê-la equilibrar vulnerabilidade com maestria no campo de batalha culinário da cozinha do Gusteau é simplesmente fascinante.

Em seguida, surge a inesperada, porém inesquecível, atuação de Dwayne Johnson como o Chef Skinner. Mais do que uma caricatura cômica, Johnson redefine Skinner como uma figura teatral poderosa, dominando a cozinha como um mestre de cerimônias, com uma corrente subterrânea de insegurança e medo. Sua presença física o torna intimidador, mas são seus surpreendentes lampejos de humor e carisma que o elevam. Johnson prova mais uma vez que sua presença pode transformar até mesmo o papel mais inesperado.
Mas além das atuações, o que é verdadeiramente surpreendente é como Paris se torna uma personagem. As ruas brilham com uma suave luz dourada, o Sena cintila ao luar e as cozinhas fervilham de vida. A visão do diretor transforma a cidade em um lugar onde os sonhos fervilham e a ambição é banhada em arte. A cinematografia se detém em panelas de cobre, vapor ascendente e guarnições delicadas, fazendo com que cada refeição pareça uma obra de arte. É um cinema que você quase pode saborear.
O filme também ousa expandir a história para além da animação original. O filme se concentra mais em temas como herança, legado e a fragilidade da arte diante do comercialismo. A luta de Linguini não se resume a provar seu valor, mas também a honrar o peso da família, da história e da identidade. Colette, por sua vez, personifica a luta das mulheres em indústrias dominadas por homens, o que acrescenta uma camada adicional de profundidade à obra.

E então temos Remy, a alma de Ratatouille. Recriada com efeitos especiais tão realistas que você esquece que está assistindo a um efeito, a jornada de Remy ainda conserva aquela magia essencial: a crença de que qualquer um pode criar beleza se tiver coragem. Seu vínculo com Linguini é tão tocante quanto sempre, equilibrando comédia e ternura na mesma medida.
As sequências de culinária são orquestradas com a precisão de uma sinfonia. Facas cortam, panelas chiam, colheres mexem e pedidos voam em um balé de caos e ritmo. Combinado com uma trilha sonora envolvente que mescla nuances clássicas francesas com energia moderna, o filme captura tanto o caos quanto a poesia da cozinha. Essas cenas não são mero pano de fundo; elas são o coração do filme.
O que permanece após os créditos finais, no entanto, é a mensagem. “Qualquer um pode cozinhar” sempre foi mais do que um slogan: é um manifesto sobre possibilidades, sobre enxergar grandeza onde outros veem insignificância. Esta versão com atores reais expande essa verdade, lembrando-nos que a arte, seja em um prato ou em uma tela, prospera quando abraçamos o risco e rejeitamos o cinismo.

Se o filme de animação original tinha como objetivo surpreender as crianças com sabedoria, esta releitura surpreende os adultos com encantamento. Ela transmite maturidade, cinema e vivacidade, sem jamais perder a faísca travessa do original. A nostalgia pode atrair o público, mas a emoção, a atuação e a pura arte o manterão cativado.
Ratatouille (2026) não é apenas uma refilmagem da Disney; é um convite para acreditar novamente, sonhar novamente e saborear a doçura da coragem. É um filme que prova, mais uma vez, que a grandeza pode surgir dos lugares mais inesperados.
